1°de dezembro – Dia Mundial da Luta contra a Aids
01/12/08 ŕs 10:32 h


 
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde   mostram que, de 1980 a junho de 2008*, foram registrados 506.499 casos de aids no Brasil. Durante esses anos, 205.409 mortes ocorreram em decorrência doença. A epidemia no país é considerada estável. A média de casos anual entre 2000 e 2006 é de 35.384. Em relação ao HIV, a estimativa é de que existam 630 mil pessoas infectadas. Há discreto aumento da taxa de incidência no Nordeste e mais acentuado no Norte.Incidência entre os maiores de 50 anos preocupaA análise da série histórica da epidemia mostra que a taxa de incidência entre pessoas acima dos 50 anos dobrou entre 1996 e 2006. Passou dos 7,5 casos por 100 mil habitantes para 15,7. A maioria dos casos de aids, porém, ainda está na faixa etária de 25 a 49 anos. Dos 47.437 casos de aids notificados desde o início da epidemia em pessoas acima dos 50 anos, 29.393 (62%) foram registrados de 2001 a junho de 2008. Desse último grupo, 37% são mulheres e 63%, homens. Em Sergipe,foram notificados 1.947 casos de Aids no período de  1987 até o ano novembro de 2008. Na faixa etária de 50 a 79 anos, foram notificados 148 casos de Aids, correspondendo a 7,96 %. Cerca de 660 pessoas vieram a falecer em conseqüência das complicações relacionadas à AIDS.As ações do Dia 1º de dezembro, Dia Mundial da Luta Contra a AIDS serão direcionadas às pessoas de idade acima de 50 anos. Com o slogan “SEXO NÃO TEM IDADE, PROTEÇÃO TAMBÉM NÃO”, a campanha tem como objetivo  propagar a idéia de que a sexualidade não tem idade. Para atingir o público-alvo, a divulgação priorizará locais como bailes da saudade, locais de encontros  e grupos da melhor idade. Infelizmente a sociedade ainda não os enxerga como pessoas com vida sexual ativa.  O aumento da expectativa de vida, relações sociais mais intensas, as mudanças do comportamento sexual com o  surgimento de estimulantes sexuais para os homens, reposição hormonal para as mulheres  e o hábito de não usar  PRESERVATIVOS,  podem explicar o aumento dos casos de AIDS na população idosa.  Muitos homens revelam o medo de, por falta de hábito, ao ter que usar o PRESERVATIVO , perder a ereção. Com os estimulantes sexuais, os homens começaram a ter relações com pessoas mais jovens. E aí não querem usar CAMISINHA mesmo. Por outro lado, as mulheres que já atingiram a menopausa dificilmente vão se preocupar com o uso da camisinha, pois na visão delas, camisinha era apenas para evitar filhos. Um fato também preocupante , é o que está acontecendo com o diagnóstico  da AIDS, onde pessoas, principalmente, acima de 50 anos, mesmo com as manifestações clínicas compatíveis com a Aids, somente são diagnosticadas tardiamente, prejudicando assim a qualidade de vida, já que os medicamentos existem e estão disponíveis na rede pública de saúde. Alguns médicos têm dificuldade em conversar sobre sexualidade com o paciente idoso. O Dia Primeiro de Dezembro deve servir de reflexão sobre o papel que a sociedade civil e os governos vêm desempenhando na LUTA CONTRA A AIDS. A luta não pode continuar a ser de ALGUMAS PESSOAS OU GRUPOS. O CROMPROMISSO DEVE SER DE TODOS.Almir Santana – Médico Gerente do Programa Estadual de Dst/Aids de Sergipe