A presidenta Dilma Rousseff assinou ontem (16) decreto que altera regras para concessões de rádio e televisão no país.
A medida muda principalmente as regras para a licitação, com exigência de garantias financeiras para participar dos leilões.
Outra alteração do decreto é que as outorgas de rádio passarão a ser assinadas pelo Ministério das Comunicações.
Já as concessões de TV continuarão passando pela Presidência.
As mudanças começaram a ser articuladas depois que o ministério recebeu denúncias de pessoas que venceram licitações de concessões sem capacidade financeira para manter emissoras de rádio e TV.
Os leilões de novas concessões estavam suspensos desde o ano passado.
A partir de agora, os interessados em obter uma concessão têm que comprovar capacidade técnica e financeira de manter a emissora no ato da inscrição no processo licitatório.
Eles terão que enviar dois pareceres independentes que comprovem a capacidade econômica da empresa para executar o serviço.
Também será obrigatória a comprovação de origem dos investimentos e a apresentação de balanço patrimonial e contábil, de acordo com o Ministério das Comunicações.
O pagamento da outorga, que antes era parcelado em duas vezes, agora tem que ser feito à vista, de acordo com o decreto.
A caução exigida da empresa pode chegar até 10%.
Na regra anterior, o valor não passava de 1%. Se o vencedor do leilão não fizer o pagamento, será desclassificado e a concessão será repassada ao segundo colocado no certame.
Se a concessão não for aprovada pelo Congresso Nacional, o dinheiro será devolvido, com correção pela taxa Selic.
O decreto também altera questões de conteúdo. Com a mudança, o tempo destinado a programas locais (produzidos no município de outorga) e a produções independentes será utilizado como critério para decidir os vencedores dos leilões.
Até agora, essa avaliação levava em conta o tempo destinado a programas jornalísticos, educativos, culturais e informativos.
Segundo o Ministério das Comunicações, a nova exigência segue uma diretriz da Constituição, que prevê a valorização de as produções locais e as independentes.
Para o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a reformulação do processo licitatório visa a tornar as licitações mais transparentes, rápidas e eficientes.
“É uma garantia para o Estado que as licitações feitas serão implementadas e virarão emissoras de radio e televisão, evitando que pessoas entrem [na licitação] simplesmente para especular. Estamos empurrando regras para maior profissionalização dos licitantes.
Estamos fazendo mais exigências que vai tornar esse processo mais seguro”, disse.
Com as mudanças, o governo pretende retomar os leilões de concessões de emissoras comerciais de rádio e TV e deve lançar em março um planejamento com datas de novas concorrências.
O decreto foi publicado na edição de hoje (17) do Diário Oficial da União.
Fonte: Agência Brasil